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De: Ingrid Em: dezembro 01, 2017 Categoria: Entrevistas Comentários: 0

“Sou um cara criativo, sou mutante. O homem que pára padece. Antigamente eu falava que eu queria me aposentar com 45 anos de idade e não fazer mais nada na vida. Eu estou com 53 e acho que se eu parasse eu já estava morto”, essa frase resume muito bem a mente criativa e em pleno movimento de Mario Yamasaki.

O entrevistado da série TurnAround é árbitro de artes marciais mistas licenciado em vários estados dos Estados Unidos, mais reconhecido pelo seu trabalho no Ultimate Fighting Championship (UFC). Ele é fundador e instrutor-chefe da Academia Yamasaki com várias unidades espalhadas pelo mundo e também atua na Construção Civil. Yamasaki é um veterano de mais de 400 lutas no UFC, Strikeforce, WEC, EliteXC e Pride Fighting Championships.

A carreira profissional de Mario Yamasaki começou no ano de 1994, nos Estados Unidos, como árbitro de vale-tudo. Em 1998, ajudou a trazer o UFC ao Brasil, e com o apoio de “Big” John McCarthy, no dia 7 de maio de 1999, estreava como árbitro oficial do evento, no UFC 20. Em plena evolução e com negócios em outros segmentos, além das artes marciais, Yamasaki também é um investidor-anjo que estimula a criação de negócios inovadores.

Nesta entrevista da série Turnaround, Mario revela as atitudes que teve para mudar seu mindset de aposentadoria aos 45 anos de idade e como está em plena atividade aos 53 e com muitos projetos futuros.

Edgar Ueda: Mario você poderia compartilhar qual foi o seu momento de decisão que fez diferença na sua vida? Que levou você do ponto zero ao ponto que você está hoje.

Mario Yamasaki: Aqui no Brasil, quando eu era mais jovem, dava aulas de judô em academias e escolas. Eu não fiz faculdade e não tinha uma perspectiva de crescimento aqui. Sempre tive vontade de sair do país. Ironicamente, três meses antes de ir para os Estados Unidos tive a chance de ir pro Japão. Fui para Recife, onde passei três meses. Era aquele tipo de cara que ia sempre para o mesmo lugar, pros mesmos bares, pras mesmas praias. Não gostava de sair desse meio que a gente domina. Temos medo de sair fora da caixinha. Quando fui pra Recife, em apenas três meses volte outro homem de lá. Nos Estados Unidos percebi que a cultura era totalmente diferente. Mudar pra lá foi uma mudança muito drástica e onde comecei a procurar novos horizontes. Aqui no Brasil eu era ótimo em escala de artes marciais. Minha família é de artes marciais, desde meus irmãos até meus primos que foram até para as Olimpíadas, então a gente era muito famoso aqui. Cheguei nos Estados Unidos, achando que eu também ia ser famoso lá e percebi que ninguém conhecia nada de mim. Além de eu não falar a língua foi muito difícil conseguir fazer alguma coisa sem comunicar, pois para você dar aula você tem que se comunicar. Acabei tendo que trabalhar entregando jornal, fui garçom, dirigi limousine e caminhão. Tudo isso me fez crescer. Sempre usei as coisas como escada. Estou trabalhando aqui, mas estou incomodado porque não é o que eu quero, fico olhando sempre para os lados para eu ver onde eu posso correr. Foi quando comecei a trabalhar em outros lugares, conhecer outras pessoas e quando eu tive a chance, que foi mais ou menos em 1993, quando o UFC saiu na televisão e eu falei: taí a minha chance de novo de fazer uma coisa que gostava. Hoje nós temos 15 academias ao redor do mundo. Só em Washington, na área metropolitana, onde eu comecei, nós temos 9. Tenho uma empresa de mármore e granito lá também e fazemos construção. Então meu ponto de virada foi estar aqui dentro de uma caixinha e quando eu resolvi sair dessa caixinha, experimentar o gostinho fora dela foi quando eu não consegui mais voltar para ela. Quando você aprende esse mundo novo que está lá fora, você fica fascinado e não consegue mais voltar pro seu estado original. Você já evoluiu, já cresceu. Esse foi o meu ponto de ebulição, onde eu resolvi arregaçar as mangas. Foi o desconhecido, não conhecia ninguém e fui somente com mil dólares para lá. Foi o que me ajudou bastante a chegar onde eu cheguei.

Edgar Ueda: Você falou uma coisa que eu comento muito nos meus vídeos que é incomodar. Você tinha esse sentimento de incômodo o tempo todo no momento em que você não estava evoluindo. Como era esse sentimento de incômodo? Te dava motivação?

Mario Yamasaki: Acho que as pessoas são diferentes, vejo pelos meu amigos e minha família com características diferentes. Minha característica é que sou um cara que não gosto de ficar parado. Se estou fazendo a mesmice das coisas, não consigo continuar. Sempre gosto de criar. Quando eu fiz coaching descobri que a minha maior grandeza é a criatividade. Uso isso para os meus negócios. Quando me vi aqui dando aulas o dia inteiro, em quatro academias, três escolas, das 6 da manhã até as 10 da noite, como é um professor de educação física hoje. Eu me perguntava: aonde que eu vou? E aí, e agora? Volto a estudar ou não volto a estudar? Fica aquela polêmica entre você. Mas se eu parasse de trabalhar para estudar não teria dinheiro suficiente. Eu tinha que resolver. Ou eu ficava ali parado dando aulas pro resto da minha vida ou ia sair, ir pra algum lugar e tentar alguma outra coisa. Resolvi sair daqui. Todo mundo na época achou que eu era louco. Foi a mudança de cabeça, de espírito e tudo isso aconteceu.

Edgar Ueda: Você veio do berço de artes marciais e também é oriental. Então a disciplina está muito incorporada. Isso contribuiu? Disciplina é uma característica que faz você crescer, evoluir? Como você enxerga a disciplina no seu crescimento?

Mario Yamasaki: Eu acho que a disciplina é importantíssima, é o foco. Sem a disciplina você não consegue chegar em nenhum lugar. No seu corpo, na sua alimentação, no seu negócio. Com disciplina você consegue amarrar um pouco mais as coisas. Sem ela fica meio jogado. A arte marcial te dá o equilíbrio para você conseguir se concentrar nas horas de desespero. Você aprende a pensar antes de agir. Às vezes a gente age por impulso e acaba não dando certo. Acho que a arte marcial me deu tudo isso. Equilíbrio, coordenação motora e disciplina para eu conseguir fazer as coisas funcionarem.

Edgar Ueda: Você é uma referência no Brasil e uma das maiores do mundo em seu segmento. Está no maior esporte de MMA do mundo. O que tem mais? Você chegou onde queria? É hoje um empresário que contribui com outros investimentos provocando mudanças nas pessoas. Quais são as suas novas aspirações?

Mario Yamasaki: Como sou um cara criativo, sou mutante. O homem que pára padece, ele morre. Antigamente eu falava que eu queria me aposentar com 45 anos de idade e não queria fazer mais nada na vida. Eu estou com 53 e acho que se eu parasse eu já estava morto. Não consigo isso. Estou sempre em busca de evolução, em busca de novos negócios e de novos horizontes. Não gosto de ficar parado. Estou entrando num mercado novo hoje, o digital. Mais para conhecimento mesmo, pois já tenho os meus negócios andando. Sempre estou vendo coisas novas. Estou me reinventando. O negócio para mim nem é deixar dinheiro, é deixar um legado. Deixar o meu nome marcado na história de alguma coisa. No MMA já consegui escrever meu nome lá. Hoje eu quero mudar isso e deixar outras coisas boas para as pessoas.

Edgar Ueda: Aproveitando essa missão de deixar algo, qual seria a mensagem que você deixa para que as pessoas saiam do ponto onde elas estão hoje?

Mario Yamasaki: Primeiro você deve saber quem você é, o que quer e onde você quer chegar. Às vezes a gente acha que o cara do lado está feliz, por ter dinheiro ou negócios, mas às vezes você está mais feliz que ele. Não sabemos os problemas que ele têm. Então temos que nos entender primeiro e traçar um rumo. Se você está num lugar que está feliz para quê tentar outra coisa? Acho que você tem que sempre olhar as três ou quatro portas que estão à sua frente. Teste todas e veja o que gosta. Tenha atitude de pensar fora da caixa, sair para procurar uma coisa nova é ótimo, mas nunca esqueça de onde está e o que você é. Procure antes se entender para fazer um plano.

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